Presidente afirmou que poderia ter encerrado CPI se tivesse aceitado emendas do senador, que cobra explicações judicialmente
CPI da Pandemia transformou Omar e Bolsonaro em adversários de primeira ordem (Foto: Ag. Senado)
O senador Omar Aziz (PSD-AM) interpelou judicialmente o presidente Jair Bolsonaro via Supremo Tribunal Federal para que ele explique declarações dadas há dez dias, quando afirmou que poderia ter encerrado a CPI da Pandemia se tivesse aceitado emendas do senador amazonense.
O procedimento ainda não foi distribuído a nenhum dos ministros do Supremo. Caso o STF acate o pedido de Omar Aziz, o presidente da República terá que explicar as declarações feitas em um evento público, em São Paulo, quando citou emendas que, segundo ele, permitiriam que “governadores e prefeitos poderiam comprar vacina de qualquer lugar do mundo, sem a certificação da Anvisa e sem licitação”.
VEJA A FALA:
No entendimento dos advogados de Omar Aziz, a declaração dada pelo presidente é dúbia, pois não esclarece se a citada emenda é emenda constitucional, sobre a qual o presidente da República não teria poder de aceitar ou não, ou se seria uma emenda parlamentar.
Para o senador, houve uma "aparente" tentativa do presidente de atribuir a Omar conduta criminosa, como se ele estivesse pedindo vantagens usando seu mandato e a presidência da CPI, conduta que pode ser tipificada como crime de concussão.
"Entrementes, mostra-se evidente que, do discurso emitido pelo Interpelado, pode-se inferir calúnia e/ou difamação contra o interpelante, de modo que se faz plenamente cabível o presente pedido de explicações judicial", sustentam os advogados do senador.
VEJA AS PERGUNTAS FEITAS PELOS ADVOGADOS DE OMAR AZIZ A BOLSONARO
a) Quem foi(ram) a(s) pessoa(s) que o procurou(aram), em nome do Senador Omar Aziz, para tratar sobre a “emenda” citada no discurso? b) Quando alguém o procurou, em nome do Senador Omar Aziz, para tratar sobre essa “emenda”, qual a data específica? c) Qual é a natureza da “emenda” citada no discurso controvertido? d) Caso seja uma emenda constitucional, por quê este aceitaria ou não uma emenda constitucional, uma vez que não é função do presidente da república aceitar, ou sequer sancionar, um projeto dessa natureza? e) Caso seja uma emenda parlamentar, qual seria o seu valor, a sua finalidade e a sua destinação?